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ARTIGO - Patinação sobre rodas tem que ser espetacular Imprimir
06 de outubro de 2006

Abaixo reproduzimos algumas considerações da equipe técnica de Portugal presente no Seminário Técnico que ocorreu durante o EURO ROLLER GAMES 2006.

A Federação Italiana de Hóquei e Patinagem em colaboração com o Comité Europeu de Patinagem Artística (CEPA) e o Comité Organizador do Euro Roller Games 2006 organizou na manhã do dia 28 Julho de 2006, entre as 9.30 e as 13.00 (durante os treinos oficiais), durante o Campeonato Europeu Juniores e Seniores, um Seminário Internacional que tinha como tema:a dificuldade técnica da especialidade de livres (singolo) com particular referência à pontuação do conteúdo Artístico.

O Seminário foi aberto a todos técnicos de Patinagem Artística reconhecidos pela FIHP e teve como relatores o Comissário Técnico Antonio Merlo e a Responsável SIPAR Sara Locando e vários técnicos representando alguns países europeus.

(...)

Estiveram também presentes Margaret, Fagioli, e a juíza espanhola (as pessoas mais importantes do ajuizamento europeu). Presentes estiveram treinadores de Portugal França, Inglaterra, Itália, Eslovénia, Espanha, Suiça, Israel, Alemanha, Belgica, Holanda, Argentina, Austria, Sérvia.

Começou por intervir a responsável pela Escola da Patinagem Italiana (SIPAR) Sara Locando.

Referiu que havia a necessidade de se mudar o discurso na modalidade. Segundo Sara Locandro temos que agir tendo em conta dois objectivos: POPULARIDADE e IMAGEM . Estes dois aspectos estão interligados. Só agindo desta forma é que as coisas podem melhorar. Por isso, todos os intervenientes na modalidade a nível europeu deveriam re-pensar o seu modo actuar pensando sempre nestes dois aspectos.

Relativamente ao aspecto da popularidade, defendeu Sara Locandro que há necessidade de todos trabalharem para que a modalidade tenha um maior número de praticantes e espectadores. Para isso, disse ela, deve haver cuidado com a IMAGEM. Intrinsecamente a modalidade tem potencialidades, porém não é bem aproveitada.

A Itália é o único país que tem trabalhado este aspecto, dando como exemplo a transmissão televisiva (RAI-SPORT) do Campeonato. Só assim se consegue arranjar patrocínios, pois disse: "sem dinheiro não se faz nada" .

Segundo Sara Locandro, é preferível ser menos bom tecnicamente mas ter cuidado na apresentação dos eventos. Deve-se organizar de modo a que a parte mais espectacular tenha um maior impacto.

Deve-se mudar o caminho, deve-se olhar mais para o espectáculo. Se pretendemos ser um desporto olímpico temos que aumentar a espectacularidade. Aumentar os tamanhos das pistas. Sara Locandro desabafou que se trabalha muito, mas depois não existem resultados ao nível do reconhecimento por parte do público. O público não adere à Patinagem Artística na Europa porque aquilo que vê não é espectacular, à excepção da Itália. onde há um esforço muito grande para a tornar popular (relembrou a existência de um grupo de patinadores italianos que faz espectáculos em praças publicas e centro urbanos para divulgar a modalidade) levando a modalidade à população.

Os pares artísticos (que são umas das vertentes mais espectaculares da modalidade) estão a desaparecer.

O que fazer para não desaparecerem?

Qual o caminho a seguir?

Depois desta intervenção abriu-se um espaço de debate, onde falaram.
Houve uma intervenção no sentido se se usar a patinagem no gelo para ajudar a de rodas. Um técnico alemão disse que já fizeram essa experiência num clube alemão (ou seja tinham as duas vertentes, mas não deu certo porque, segundo ele, são espiritos e modos de estar no desporto completamente diferentes. Houve uma separação quase imediata.



TEMA: a dificuldade técnica da especialidade de livres (singolo) com particular referência à pontuação do conteúdo Artístico.
(transcrições do meu memorando sobre este seminário)
Depois da intervenção da Sara Locandro, no sentido da mudança de discurso da Patinagem Artística (actuar atendendo aos seguintes aspectos: Popularidade e Imagem), foi a vez da intervenção do Leonardo (responsável técnico da selecção alemã de livres e técnico orientador da escola espanhola).

A sua primeira referência foi quanto à entrada do Toe-loop. Para ele, a coisa principal (para resolver a polémica da entrada deste salto) é não valorizar demais esta questão. Há países que proíbem outros que são mais flexíveis, porém a execução está bem delimitada. Existe uma técnica básica que deve ser igual. Porém, há métodos muito diferentes para lá chegar.

Depois, falou sobre a direcção dos saltos em geral. Segundo a opinião dele, deve-se executar os saltos com uma direcção direita e não com lóbulos muito fechados (redondos), porque, segundo Leonard, há o perigo de transformar os saltos em piões.
Acresce ainda que os saltos redondos trazem problemas mais tarde, designadamente às ligações de saltos.

Em resumo: mais extensão nos saltos é defendido pelo Leonardo.
Pessoalmente, não vejo da importância desta última observação, porque este aspecto temos estado, penso eu, todos de acordo. De todo o modo, nunca é demais falar.

TEMA: a dificuldade técnica da especialidade de livres (singolo) com particular referência à pontuação do conteúdo Artístico.
Manhã de 28 Julho de 2006, entre as 9.30 e as 13.00 (durante os treinos oficiais) do Campeonato .

Depois da intervenção da Sara Locandro, no sentido da mudança de discurso da Patinagem Artística (Popularidade e Imagem), foi a vez da intervenção técnica do Leonardo (responsável técnico da selecção alemã de livres e técnico orientador da escola espanhola).

Depois deles, foi a vez da intervenção de SANDRO GUERRA (campeão do Mundo e actualmente coreografo, autor de esquema para livres (Romano, Barbieri e D’Alicera, e outros), pares e show, colabora com a Federação Italiana e com alguns clubes e atletas:

Segundo ele, existe uma chave para melhorar a Patinagem Artística sobre rodas: MELHORAR A ESTÉTICA DO GESTO. Os treinadores devem ter cuidado com a qualidade do movimento devem trabalhar mais este aspecto.

Sandro verifica que existem atletas a executar triplos mas a qualidade da patinagem de base é muito deficiente. Tem havido evolução na técnica, mas não na qualidade estética do movimento.

Para ele se se trabalhar o aspecto estético os próprios saltos têm outra qualidade (para melhor). Deu o exemplo do Duplo Axel com qualidade , a preparação e na saída que deve ser feita com facilidade e de forma bonita, sem esforço.

O Sandro quando estuda e analisa a PA no gelo, detecta que existe nos atletas do gelo uma base comum na estética do movimento. Alguns podem não ser grandes executantes em termos de saltos, mas em termos de gestos de base há uma certa identidade. Há uma forma igual na abordagem do movimento, que é pulido e correcto.

Por sua vez, quando assiste às provas de PA sobre rodas, verifica que há atletas que executam triplos mas que são maus em termos de coreografia e de estética do movimento.
Em rodas, há muita preocupação na técnica e alguns desleixo na estética do movimento. E isso prejudica gravemente a modalidade.

Para ele, a razão é simples: o aspecto estético correcto em rodas é muito mais difícil de obter do que em gelo, apesar de no gelo trabalharem muito mais do que em rodas.
Para além disso, como o nosso desporto é um desporto PESADO (peso dos patins: rodas, eixos, rolamentos, etc.), o movimento apresenta-se mais feio, mais pesado, dando ideia de dificuldade do movimento.
Presentemente já se pode executar como no gelo, graças à evolução técnica dos patins, o peso já não é limitação para continuar a existir um descuido na coreografia e no movimento, como existe em rodas.

Há, portanto, necessidade de trabalhar mais o aspecto estético e muito mais do que no gelo.
Segundo Sandro ao não se trabalhar a vertente estética da PA está-se a prejudicar a própria técnica, num momento posterior.

CONSELHOS DO SANDRO AOS TREINADORES:
- Comecem a trabalhar com os mais pequeninos, para ele trabalhar com os juvenis já é tarde.
- Deve-se trabalhar, uma a duas vezes por semana, a estética do movimento de forma planeada (ballet e outros meios de expressão corporal), senão os atletas não estão fazer o desporto que dizem que fazem: patinagem artística.
- Os treinadores devem cultivar a energia dos seus atletas. Para ele o que se vê nos “esquemas” são personalidades.
- Devem os treinadores valorizar isto porque ajuda a que os atletas exteriorizem a sua energia e um desporto com emoção é mais apetecido pela opinião pública e pelos Media.

Tem que haver um compromisso estético. Temos todos que mudar.
Os treinadores (na forma como treinam e preparam os atletas), os juízes (na forma como hiper-valorizam a técnica em detrimento da artística).

O Sandro depois deu exemplos de atletas de topo (D’Alicera, RIva, Romano). Para ele é muito difícil fazer um esquema com técnica de saltos, piões e “trabalho de pés” (footwork - por cá: passos de ligação) sempre seguidos e de acordo com os tempos da música e com um estilo.
Esta dificuldade não é devidamente valorizada pelos juízes. É muito mais cansativo, do ponto de vista da disponibilidade física e psíquica, estar sempre em movimento com passos de elevada dificuldade, do que estar a preparar longamente os exercícios (saltos e piões) nos dois pés (às vezes andam quase meia pista de preparação) onde os braços mexem mas não se patina.
Segundo ele é muito mais cansativo executar esquemas elaborados, os quais aumentam o risco de se falhar. Quando o atleta falha o salto e peão, num esquema de alto nível, é duplamente penalizado.

Geralmente os juízes só avaliam o lado técnico (fez este salto e aquele pião), quando, no fundo, o que estão a avaliar deveria sem um esquema (com inicio, meio e fim) onde os exercícios devem ser avaliados no contexto de uma coreografia .
O que se vê, por vezes, são execuções de um conjunto de saltos e piões avulsos, onde está a tocar uma música.
Os juízes avaliam esses saltos e piões e colam a nota artística à da técnica, dando como assente ter o atleta feito um esquema, quando o que fez nada tem a ver com patinagem artistica, digo eu.






Aviso:  A reprodução de matérias e artigos reflete unicamente a opinião dos autores. A FGP publica este  material como subsídio a reflexão dos  visitantes deste site.


Última Atualização ( 02 de novembro de 2006 )
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