18. ESPORTE E LAZER

As atividades esportivas, tanto de alto rendimento quanto de participação ou de lazer, têm sido objeto de pouca atenção pelos governos do Rio Grande do Sul. É um erro incluir o esporte na mesma pasta do turismo, como ocorre no nosso Estado, visto que o planejamento estratégico e as diretrizes para as duas áreas são distintos. A própria página de internet da Secretaria do Turismo, Esporte e Lazer (SETUR) não faz referência alguma à Fundação de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul (FUNDERGS) ou sequer ao esporte! (acesso em agosto de 2006)
É necessária uma nova gestão do esporte. A gestão do esporte no Estado resume-se, hoje, à coordenação de competições e eventualmente de alguns seminários, sem que exista continuidade ou complementaridade entre os eventos. Esse é o reflexo da falta de política esportiva do Estado. O projeto RS Esporte 2003-2006 é um conjunto de boas intenções, mas que não tem apoio para gerar o mínimo de resultados necessários. A própria recuperação de um dos maiores marcos do esporte gaúcho, o CETE (Centro Estadual de Treinamento Esportivo, em 1999 renomeado para Centro Estadual de Esporte e Lazer), foi incompleta e insuficiente para as necessidades do desporto gaúcho. Em 1998 havia um projeto de construção de uma Vila Olímpica e infra-estrutura esportiva de ponta no CETE, mas foi abandonado por “questões administrativas”. Outra estrutura importante para o esporte gaúcho, o Parque Náutico do Rio Grande do Sul, está subutilizado.
A baixa ou nula prioridade dada pelos últimos governos do Rio Grande do Sul para o esporte gaúcho se reflete na sua estrutura. A FUNDERGS está sozinha no desenvolvimento do setor, com uma estrutura administrativa que não permite avanços de gestão e de planejamento para ações focadas no crescimento esportivo, engessando as boas intenções dos administradores e demais recursos humanos da organização.
A prática desportiva com fins educacionais deve ser priorizada nas escolas e em programas sociais. Deve-se, ainda, buscar a atratividade com vistas ao apoio privado para a atração de recursos financeiros, como já ocorre por geração espontânea nos esportes coletivos mais populares, como vôlei e futebol (e já ocorreu com o basquete).
O esporte, no seu caráter social, é fundamental na preparação de crianças e jovens para os desafio da vida adulta. Ele é includente na geração de oportunidades e é alternativa de lazer e integração também para os idosos. Os equipamentos –quadras, bolas, materiais – são importantes para a sua prática, bem como a orientação e organização. Nossas ações garantirão o acesso ao esporte e ao lazer, com qualidade, como um direito social.
O destaque do Rio Grande do Sul nas competições nacionais e internacionais em esportes de alto rendimento deve deixar de ser obra do acaso. Ele deve ser fruto do planejamento e da promoção esportiva. Ao aumentarmos nossa base de praticantes de esporte, seja nas escolas, nas praças ou complexos esportivos públicos ou privados, estaremos fortalecendo o surgimento e a qualificação dos nossos atletas de ponta.
PROPOSTAS
1. Dar status de agência executiva ao esporte, retirando-o da SETUR e passando-o para a área social, visando integrá-lo às demais secretarias em programas sócio-educacionais de caráter matricial.
2. Criar o Sistema Gaúcho do Esporte, que deverá ser composto por agentes do esporte, articulando-os para estabelecer um planejamento estratégico do setor e definir as diretrizes de ação dentro do escopo da Política Estadual de Esportes, com metas quantitativas e qualitativas, possibilitando transparência e controle social.
3. Criação do Atlas do Esporte no Rio Grande do Sul, buscando mapear a prática esportiva no Estado e seus equipamentos para alimentar um banco de dados esportivo e subsidiar a criação da Política Estadual de Esportes.
4. Incentivar a restauração e criação dos equipamentos esportivos, através de parcerias locais com municípios e empresas locais, apoiando também a busca de recursos em nível nacional e internacional.
5. Desenvolver atividades esportivas de participação e educacionais em parceria com clubes e investidores no esporte de alto rendimento, estimulando –via convênios– o aproveitamento dos momentos de ociosidade dos seus equipamentos.
6. Estimular ações de voluntariado junto à profissionais da área, atletas e aposentados para a orientação esportiva nos equipamentos públicos.
7. Criar programa educacional esportivo com as universidades gaúchas, visando abrir seus espaços ociosos para a prática desportiva assistida, envolvendo alunos de áreas afins na pesquisa e desenvolvimento do esporte.
8. Buscar junto a instituições e universidades internacionais a criação de parcerias com seus pares gaúchos para proporcionar intercâmbio para professores, alunos e demais profissionais envolvidos na educação física.
9. Reduzir a ação intervencionista do Estado no esporte de alto rendimento, definindo seu papel como agente de estímulo e supervisão, deixando o planejamento e a execução à coordenação técnica dos atletas.
10. Implantar e estimular um programa de qualificação técnico-profissional, através de bolsas de intercâmbio com organizações esportivas no Brasil e no mundo.
11. Criar um calendário permanente de eventos técnicos nas áreas de gerência esportiva, elaboração de projetos de financiamento e também de conhecimento específico de cada esporte.
12. Apoiar e fomentar a modernização das estruturas esportivas para que disponham de acessibilidade adequada aos para-atletas e o lazer de portadores de deficiência.
13. Criar, estimular e desenvolver um sistema permanente de bolsas a atletas de alto rendimento através da parceria com a iniciativa privada, universidades e clubes.