Luiz Alexandre de Menezes Nunes Especialista em Treinamento Desportivo pela UNIFESP
A participação de crianças e jovens escolares em competições esportivas é um aspecto que merece destaque nos dias atuais. Desta forma, este texto discute considerações importantes sobre a diferença entre idade biológica e cronológica, as formas de competição esportiva em nossa cidade e a especialização esportiva precoce.
Um programa de treinamento bem organizado e estruturado a longo prazo, aumenta consideravelmente a chance dos atletas permanecerem praticando a modalidade esportiva e lograrem êxito no futuro. Em idades de formação ou iniciação desportiva, 8 a 10-11 anos, o "como" treinar deveria ter prioridade sobre o "quanto" treinar. Técnicos e professores devem privilegiar a qualidade e não a quantidade do treinamento, fazendo do aprender a aprender, o principal objetivo de interesse e aprendizado do seu futuro atleta.
Da mesma forma, o desenvolvimento multilateral das capacidades físicas deve ter ênfase sobre atividades para aprimoramento específico. Crianças e jovens que desenvolvem várias habilidades motoras estão mais aptos a se adaptarem a cargas elevadas de treinamento, sem experimentar o estresse excessivo ocasionado pela especialização precoce. Se objetivamos ter atletas de alto nível, precisamos atrasar a especialização e os resultados a curto prazo.
Nessas idades, o fazer muito em pouco tempo deve ser substituído pelo fazer pouco durante muito tempo. O professor que leva a criança a fazer muito em pouco tempo, faz com que ela aprenda também a perder o interesse na aula, levando a um abandono precoce em virtude do grande volume ou intensidade de treinamento, além da possibilidade do aparecimento de lesões sérias.
Crianças não são adultos em miniatura e por isso não devem ser submetidas a treinamentos para adultos de forma reduzida. As diferentes capacidades fisiológicas e psicológicas relativas a cada fase de desenvolvimento do ser humano são acompanhadas por transformações comportamentais críticas. Os programas de treinamento esportivo devem ser elaborados de acordo com o estágio de maturação do atleta, pois as exigências e necessidades individuais variam bastante em indivíduos com a mesma idade cronológica. Estes indivíduos podem diferir em vários anos no nível de maturação biológica.
A idade biológica está relacionada ao desenvolvimento fisiológico dos órgãos e sistemas do corpo humano que determina a maturação fisiológica, tanto na realização de treinamentos ou participação em competições, para a obtenção de um alto nível de performance.
Há muitos anos trabalhei em clubes esportivos treinando equipes de natação de diversas idades e categorias para participarem de competições regionais e nacionais. Hoje trabalho com desporto escolar e vejo essa diferenciação mais claramente: alunos da mesma série, apesar de possuírem a mesma idade cronológica, podem apresentar diferenças relevantes à idade biológica. Não somente às capacidades físicas, força, velocidade e resistência, mas principalmente ao nível de maturidade emocional e psicológica. Desta forma, uma maneira de amenizar o problema seria conscientizar pais e alunos desta situação, e tentar conduzi-lo a um outro horário de aula, de outra série, por exemplo.
Para agravar ainda mais a situação, a divisão das categorias desportivas em nossa cidade está relacionada ao ano de nascimento do atleta, ou seja, um aluno que nasceu em janeiro compete na categoria de outro que nasceu em dezembro do mesmo ano. O atleta quando muda de ano também o faz na categoria que disputará no ano seguinte, independente de ter mudado de idade. Esta situação é ainda mais grave em idades pré-púberes, quando o desenvolvimento biológico é mais acelerado. A criança deveria mudar de categoria no seu aniversário. Um sistema rígido de competição que classifique os alunos segundo a idade cronológica quase sempre resultará em julgamentos errôneos, avaliações incompletas e decisões inadequadas.
Apesar de que crianças com desenvolvimento precoce estejam em vantagens sobre as outras em idades pré-púberes, relatos de experiência e pesquisas têm demonstrado que as crianças que se desenvolvem normalmente tem maior probabilidade de atingirem melhores desempenhos no futuro. É também interessante observarmos, que crianças que possuem um corpo grande e forte não necessariamente o tem nas características emocionais e psicológicas e, desta forma, não conseguem realizar um treinamento físico mais forte, em virtude dessa deficiência.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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