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A criança submetida precocemente no esporte benefícios e malefícios Imprimir
13 de maio de 2010
 Credito da Foto : http://www.northskygymnastics.com

A criança submetida precocemente no esporte benefícios e malefícios
 

Autores

Dr. Rogério da Cunha Voser – ESEF/UFRGS – rpvoser@ig.com.br 
Dr. Francisco Xavier de Vargas Neto – Instituição Educacional São Judas Tadeu/POA –
fxvargasneto@cpovo.net 
Dra. Lisete A. M. DE VARGAS – ESEF/UFRGS 

Este trabalho objetiva estabelecer os componentes positivos e negativos envolvidos na atividade esportiva, quando iniciada precocemente. O mesmo também propõe uma prática esportiva infantil adequada a cada faixa etária  de acordo com recomendações  que poderão evitar ou amenizar os prejuízos do tipo físico, psicológico, motriz e esportivo.

Unitermos: Especialização Precoce, Iniciação Esportiva, Esporte e criança

 

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Este texto tem como finalidade apresentar o fenômeno relativo à criança envolvida na atividade físico-desportiva; em um primeiro momento apresentamos os aspectos positivos desta prática para logo a seguir mostrarmos a confusão conceitual que permeia o tema. O passo seguinte é tentar entender a controvérsia gerada pelo tema para posteriormente buscarmos respostas para as justificativas usualmente utilizadas. Encerramos mostrando os prejuízos que possivelmente podem advir de uma especialização precoce e, como não poderia deixar de ser, apresentamos formas de atenuar estes mesmos riscos.

 

  • A Criança e o Esporte

Com o crescimento dos programas de esportes juvenis, inúmeras crianças buscam a prática do esporte através de clubes, colégios e escolas especializadas. Dentro deste ambiente, é possível perceber que os eventos esportivos, as competições e os treinamentos direcionados às crianças são estruturados com base nos modelos de programas de competição de adultos.

 

Isto também se confirma nos estudos de Brauner (1994), ao analisar as “Intervenções Pedagógicas em Programas de Iniciação ao Basquetebol” e Vozear (1998) nos estudos em Escolinhas de Futsal, quando ambos observam uma prática pedagógica tradicional, centrada na competição, no êxito e na seletividade, incidindo numa Iniciação Precoce. Sendo então, a Iniciação Precoce uma realidade, pode-se citar Martens (1986), em seu estudo sobre a Iniciação Esportiva nos Estados Unidos (em DURAND, 1988), quando verifica que o começo se dá antes dos 5 anos de idade em várias modalidades , sendo que na natação e ginástica isto pode ocorrer aos 3 anos.

Jefferies citado por Durand (1988) pesquisou a Iniciação Esportiva na hoje extinta União Soviética, concluindo que a mesma não difere dos Estados Unidos. Lá, a ginástica, natação e patinação começam antes dos 5 anos de idade. Merino (1999), em sua pesquisa no Brasil sobre “ A criança no judô de rendimento”, confirma uma média de idade para iniciação aos 5 anos. 

Alguns atletas se tornaram conhecidos mundialmente exatamente por sua pouca idade, principalmente na ginástica olímpica onde isto ocorre com muita freqüência, sendo Nadia Comanecci  o exemplo mais significativo da frágil menininha que se tornou estrela mundial com pouquíssima idade. Casualmente, esta mesma atleta teve graves problemas de saúde mental após o abandono das competições esportivas.

Para a Federação Européia de Psicologia do Esporte (1996), existe alguns motivos que levam a criança a esta prática precoce. Entre eles podemos citar o aumento dos esportes organizados, o próprio interesse das crianças aguçados pela mídia, o desejo dos pais na busca do desenvolvimento físico e psíquico (socialização) de seus filhos e por fim a busca de talentos, resultando num recrutamento esportivo precoce.

Deste modo, nos últimos anos, tem-se discutido detalhadamente o fenômeno da “Iniciação Esportiva”, sua atual precocidade, bem como, a controvérsia que é gerada pelo tema, o que acaba possibilitando o aparecimento de outras conceituações paralelas, como “Especialização  Esportiva Precoce” ou “Treinamento Esportivo Precoce”, aumentando ainda mais a confusão conceitual já existente.(VARGAS NETO, 1999)

 

  • A iniciação, a especialização e a precocidade esportiva

 

A “iniciação esportiva” (IE) compreende o processo que tem início quando uma pessoa (normalmente a criança) chega em uma escolinha, permanecendo nesta até a prática esportiva competitiva. É lógico que este processo implica um aprendizado e posterior treinamento progressivo, direcionado a melhorar e depois aperfeiçoar os diferentes aspectos orgânicos, funcionais, técnicos e táticos necessários ao ótimo rendimento no esporte escolhido.

 

A IE e competitiva de crianças é muito mais freqüente do que se pensa, basicamente por ser a criança influenciável e dependente dos adultos. Este fenômeno, bastante tratado na literatura especializada, se dá com muita regularidade nos países de maior hegemonia esportiva mundial, principalmente em algumas modalidades específicas .

Para Personne (1987) “iniciação esportiva precoce” (IEP) é a atividade esportiva desenvolvida antes da puberdade, caracterizada por uma alta dedicação aos treinamentos (mais de 10 horas semanais) e principalmente por ter uma finalidade eminentemente competitiva. Já Kunz (1994), referindo-se a “treinamento especializado precoce” (TEP), entende que este ocorre quando crianças são introduzidas antes da fase pubertária a um processo de treinamento planejado e organizado a longo prazo , que se efetiva em um mínimo de três sessões semanais com o objetivo do gradual aumento do rendimento, além da participação periódica em competições.

Duas conclusões podem ser tiradas destas citações: em primeiro lugar, existe uma certa confusão conceitual em referência aos temas IEP e TEP visto ambas definem o mesmo processo ainda que não signifiquem a mesma coisa e, em segundo lugar, entende-se que outros diferentes e importantes aspectos formativos, neste caso, são deixados de lado ou, na melhor das hipóteses, são valores secundários.

 

  • Competição, Rendimento e Estresse em relação a criança

 

A competição é um fenômeno universal que faz parte da história da raça humana. Competir sugere a busca de um determinado objetivo e significa rivalizar, lutar e tentar conseguir uma façanha ou proeza. São inúmeros benefícios que o esporte e a competição são capazes de possibilitar ao ser humano, em muitos casos estes são deturpados quando a sua prática visa prestigio social ou quando seus rumos são alterados pelas influências políticas, econômicas e culturais. 

 

A competição se torna negativa quando a orientação esta voltada exclusivamente para o produto (resultado final). Neste enfoque o esporte  está acima da criança, sendo a mesma visto como um atleta em potencial e um simples objeto do treinamento.

O rendimento é uma característica da sociedade industrial, mas também um dos traços essenciais do homem. É necessário um aperfeiçoamento constante e ruptura com o conformismo, significa ser melhor hoje do que ontem e desafiar seus limites; podendo também ser um momento de intensa descoberta. Se faz necessário distinguir entre o rendimento externamente exigido (obrigado) e pessoalmente decidido (automotivado).

O que tem se observado é que este rendimento é medido através de um modelo ideal de desempenho pré-estabelecido pelo treinador e no sucesso na competição.

De acordo com Constantino (1993), não é mais possível entender o desporto como a procura exclusiva de rendimento desportivo, traduzido no recorde, na marca ou na vitória. Por isso, os seus referenciais não residirão mais no campeão, no talentoso, no fora de série ou no medalhado. Residirão sobretudo nos indivíduos.

O desporto do futuro será o desporto dos cidadãos, construído à medida de cada um, medida dos sexos, da forma física, das motivações, da promoção da saúde, da defesa do meio ambiente, da solidariedade social, da descoberta da expressão através do movimento, da libertação do corpo, do sentido de aventura, do prazer de jogar, mas também do gosto de competir.     

Já o estresse é o resultado do desequilíbrio entre  o nível de aptidão e as exigências do meio ambiente. O estresse na criança não é algo que deva ser evitado, contudo a condição de agente benéfico ou prejudicial é determinado pela capacidade do organismo de absorver e reagir ao estímulo.

Desta forma, devemos respeitar as necessidades e os interesses das crianças, saber que tipo de atividades que as motivam, enfim devemos de todas as formas minimizar as possíveis pressões que as mesmas poderão sofrer, onde na grande maioria das vezes já começam em casa, quando os pais que não tiveram sucesso esportivo na infância depositam toda sua frustração em desejo de ver o seu filho como um esportista de renome.

O esporte de alto rendimento dos adultos, tem recorrido a profissionais em uma área multidisciplinar, como fisiologistas, médicos, fisioterapêutas, psicologos, assistente sociais, nutricionistas, entre outros, afim de possibilitar aos atletas o maior grau de desempenho com o menor risco de afastamento por motivos psicológicos ou lesionais. É óbvio que toda esta preocupação em possibilitar certas condições a estes atletas não restringe a uma preocupação com o ser humano, mas sim com os resultados que serão possíveis de serem alcançados nas competições.

Por certa vez, em um evento sobre a Psicologia no Esporte de Alto Rendimento, um renomeado atleta do voleibol, ao declarar o quanto é estressante o esporte, disse: “uma simples cortada vale um investimento do patrocinador, a expectativa dos companheiros de equipe, do dirigente, treinador, torcida, amigos, parentes e mídia”.

Se compararmos com os adultos, as crianças estão em grande desvantagem, pois além de  não estarem preparadas emocionalmente e fisicamente para suportar altas cargas de treinamento é inexistente o acompanhamento de pessoas capacitadas que poderiam evitar ou amenizar as conseqüências  desta precocidade esportiva.

 

  • A controvérsia deste tema 

 

O fenômeno da IE precoce tem gerado muita controvérsia no mundo da atividade físico-esportiva. Normalmente encontramos pessoas que a apoiam totalmente bem como aquelas que rechaçam antagônica e francamente este processo. Para alguns dirigentes, treinadores e monitores esportivos, geralmente pessoas sem formação universitária, esta prática é justificada e não existe nenhum inconveniente em iniciar a criança precocemente nos treinamentos e competições esportivas a nível federado. Para outros no entanto, quase sempre professores com formação acadêmica, esta iniciação é um atentado contra a criança e mais amplamente contra toda a infância que deveria estar proibido ou no mínimo regulamentado.

 

Em sua tese doutoral que trata sobre “Esporte e Saúde” (VARGAS NETO, 1995), o autor faz um apelo as autoridades políticas e esportivas no sentido de uma legislação própria que regule e controle basicamente:  o número máximo de horas de treinamento de crianças; a intensidade e os objetivos deste mesmo treinamento, e  a formação e qualidade do ensino da pessoa responsável por estas atividades.

Seria igual ao que ocorre no controle por parte do estado de outros aspectos tais como: ingresso de menores no trabalho, o número máximo de horas na escola, a segurança dos brinquedos e a higiene dos produtos alimentícios.

 

  • As razões que tentam justificar a especialização precoce

 

Alguns pesquisadores tem tentado encontrar as razões que buscam justificar a IEP e o TEP (ou especialização esportiva precoce [EEP]) , HAHN (1988) concluiu que o adiantamento da idade de máximo rendimento , principalmente em determinados esportes, motiva a federações, clubes e treinadores a iniciar este processo dirigido ao alto rendimento cada vez com maior precocidade.

 

Observa-se que outra das causas deste fenômeno, é o atual sistema esportivo infantil – basicamente competitivo- que não está de acordo com as autênticas necessidades das crianças, pois é simplesmente um sistema adaptado do modelo adulto. Um aspecto importante a considerar, é também a busca do êxito e vitórias (medalhas) a qualquer preço, isto motiva ministérios de esportes, federações nacionais e clubes a estimular a iniciação prematura.

Um último aspecto decisivo talvez para explicar este fenômeno, é a atitude dos pais que freqüentemente buscam uma compensação, por meio dos filhos, das vitórias e títulos esportivos não conseguidos por eles mesmos.

Segundo nossa análise, observa-se que de todos estes motivos expostos, nenhum deles se ajusta aos interesses e necessidades reais das crianças, pois são todos argumentos extrínsecos ao verdadeiro e principal ator deste jogo, a criança.

 

  • Os prejuízos de uma especialização precoce

De outra parte, inúmeros autores tem apresentado trabalhos que destacam os prejuízos de natureza diversa de um TEP ou da EEP. O mais importante trabalho nesta área é de um francês, professor de educação física, PERSONNE, a obra datada de 1987 cujo título por si só é muito significativo, Nenhuma medalha vale a saúde de uma criança (Aucune medeille ne vaut la santé d’un enfant), recolhe um enorme número de casos reais nos quais os esportistas -todos eles submetidos no presente ou no passado ao TEP- apresentam uma infinidade de problemas psicológicos, de saúde física e de integração.

 

Outro trabalho excelente é o de COTTA (em HAHN, 1988) onde se pode verificar diferentes patologias em praticantes de diversas modalidades esportivas como, halterofilismo, saltos, remo, natação e outros; todos estes atletas quando crianças haviam sido submetidos ao TEP. Em um estudo de MANDEL e HENNEQUET (em DURAND, 1988), 74% dos pediatras consultados considera não conveniente a prática esportiva competitiva antes do final da puberdade; da mesma maneira no informe elaborado por DELMAS (em PERSONNE, 1987), estudo encarregado pela Academia de Medicina da França, é chamada a atenção sobre os efeitos negativos e portanto prejudiciais da EEP e do TEP.

Destes trabalhos citados e de outros tantos já publicados, se pode concluir e entender alguns dos prejuízos que a prática intensiva de um esporte competitivo iniciado precocemente na infância pode ocasionar, para facilitar o entendimento dividimos os possíveis riscos em quatro grandes áreas: riscos de tipo físico, psicológicos, motrizes e riscos de tipo esportivo.

 

  • Riscos de tipo físico 

 

Neste bloco se faz referência aos riscos que a prática esportiva competitiva iniciada precocemente pode ocasionar a saúde corporal das crianças. Foram detectados problemas ósseos, articulares, musculares e cardíacos, dependendo da especialidade esportiva, sobretudo aquelas tecnicamente mais complexas que empregam um grande número de repetições de gestos técnicos visando a automatização e aperfeiçoamento do movimento.

Personne (1987) comprovou que um praticante de ginástica olímpica pode realizar ao longo de uma temporada mais de 8.000 saltos (impacto altamente traumatizante para as articulações); um atleta de saltos ornamentais executa mais de 14.000 saltos; um arremessador de dardo, 6.000 arremessos por ano. Preocupados com as campanhas que promovem as corridas de rua, nas quais crianças e adolescentes são estimulados a participar, assusta a pesquisa de Ferrandis (1994) na qual verificou que um corredor de maratona durante a prova, executa por volta de 30.000 impactos do calcanhar contra o solo, nestes impactos pode chegar a aplicar uma força de até seis vezes o peso de seu corpo.

No voleibol sabemos que um cortador pode chegar a 150 saltos por partida, nos quais seus pés atingem uma altura superior a um metro e o impacto de chegada ao solo pode ser de até dez vezes o peso de seu corpo. Devemos pensar também nos anos de preparação, duração e intensidade do treinamento para chegar a este nível. É uma carga demasiadamente forte para o ombro e articulações dos membros inferiores. O grande problema deste tipo de risco reside no impacto e na similitude dos gestos, principalmente se nos referimos as crianças em pleno processo de desenvolvimento.

 

  • Riscos de tipo psicológico

 

Neste bloco são agrupadas todas as conseqüências negativas do TEP e das competições que se relacionam com a conduta e o estado mental dos sujeitos. Em crianças competidoras foram encontrados níveis anormalmente altos de ansiedade, estresse e frustração; são conhecidos casos de talentos esportivos com futuro promissor que hoje se sentem martirizados internamente por fracassos e desilusões resultantes de maus resultados em competições.

 

De qualquer forma o fato mais preocupante psicologicamente, é o que alguns autores chamam de “infância não vivida”, por culpa da alta dedicação aos treinamentos exigida principalmente em algumas modalidades esportivas, que pode chegar a várias horas ao dia durante todos os dias da semana, acrescentando ainda mais a atividade escolar. Kunz (1994) detectou que isto pode provocar uma formação escolar deficiente, e pior, parece ser que a criança esportista participa menos das brincadeiras e jogos do mundo infantil, atividades estas que são indispensáveis ao pleno desenvolvimento de sua personalidade.

 

  • Riscos de tipo motriz

 

Aqui serão agrupados os riscos relacionados com a falta de base poliesportiva que acompanha o TEP. Efetivamente sabemos que o TEP busca o rendimento em um aspecto concreto da execução motriz – no modelo competitivo – ignorando geralmente os outros importantes objetivos educacionais que o esporte pode oferecer.

Esta “pobreza motriz” ocasionada pelo TEP (ou pela EEP) está mais presente em alguns esportes que em outros, podendo inclusive impossibilitar a prática futura de um esporte diferente daquele que praticou durante a infância (VARGAS NETO, 1995).

É normal observarmos atletas de alto nível que adquiriram “automatismos motores extremamente rígidos” que lhes impede de executar movimentos novos e diversificados; é um paradoxo do esporte, a plena e total  habilidade em uma modalidade esportiva, impedindo neste mesmo indivíduo sua disponibilidade motriz generalizada (VÁZQUEZ, 1989).

 

  • Riscos de tipo esportivo

Neste bloco se destaca que na prática esportiva precoce se produz uma iniciação/especialização as cegas, pois é muito difícil conhecer com exatidão as características do futuro atleta de elite quando este ainda é muito pequeno. Pode ser que estamos iniciando/especializando a criança para uma prática esportiva para a qual ela não tem as mínimas condições especiais exigidas.

 

Parece ser também que a conquista de importantes títulos ou marcas durante a infância não é garantia de sucessos esportivos quando este mesmo atleta se torna adulto .

A seleção de talentos é um campo das ciências do esporte que ainda precisa avançar muito, ainda que em determinados aspectos correlacionados com o rendimento esportivo, como por exemplo a antropometria, existem meios bastante fiáveis de predição. No entanto, outros importantes aspectos como “motivação futura”, “atitude frente a competição” ou “persistência nos treinamentos”, não se pode hoje em dia efetuar estudos prospectivos com relativa garantia de sucesso.

De toda nossa exposição anterior, chegamos a conclusão de que existem muitas dúvidas quanto a conveniência da IEP ou do TEP bem como da prática esportiva competitiva antes do final da puberdade.

 

  • Evitando os riscos

A adequada prática esportiva e competitiva infantil vai depender de uma infinidade de fatores entre os quais podemos citar: a formação e atuação do professor, os meios e os objetivos propostos, a faixa etária das crianças, o tipo de competição no qual ela vai participar, a efetiva forma de participação da família neste contexto e etc.

 

De qualquer modo, durante o treinamento infantil é importante que sejam observados os aspectos mostrados a seguir, para que se possa evitar dentro do possível, os riscos comentados no decorrer de nosso trabalho. Ungerer (em HAHN, 1988) sugere que devemos: (ver quadro a seguir)

1. Durante as cargas elevadas, aumentar os tempos de recuperação; 
2. Priorizar o desenvolvimento da resistência aeróbia em lugar do treinamento da resistência anaeróbia;
3. Evitar as situações onde se bloqueia a respiração (apneias prolongadas);
4. No treinamento de força, evitar as cargas elevadas que incidem sobre a coluna;
5. No treinamento de força, aumentar o trabalho de flexibilidade;
6. Nas tarefas que exigem alta coordenação motora, ter em mente a limitação do processamento de informação nas crianças;
7. Priorizar os movimentos e as habilidades naturais em lugar dos exercícios elaborados;
8. Valorizar a variedade em lugar da esteriotipação dos gestos técnicos;
9. Para melhor motivação, valorizar o aspecto lúdico das atividades; e,
10. Por ser melhor por sua maior carga motivacional, efetuar o treinamento em grupo do que individualmente.

Para concluir, lembramos que a criança não é um adulto (atleta) em miniatura e que o treinador ou professor além de sua tarefa técnica, também deve ter responsabilidade pedagógica com o futuro -principalmente- do jovem a ele confiado.

Encerramos, apresentando a “Carta dos direitos da criança no esporte”, uma ideologia psicopedagógica baseada nas noções de respeito ao jovem esportista, que diz em seu artigo primeiro: “toda criança tem direito a praticar esporte”, e termina em seu décimo-primeiro artigo propondo que “toda criança tem direito a não ser um campeão”.  

Referências

DURAND, M. (1988). El niño y el deporte. Barcelona: Ediciones Paidós. 
FERRANDIS, R. (1994). Patología traumática en el corredor de maratón. Em PLATA, F.; TERRADOS, N.; VERA, P. (edis.). El maratón. Aspectos técnicos y científicos. Madrid: Alianza Editorial S. A. 
HAHN, E. (1988). Entrenamiento con niños. Teoria, práctica, problemas específicos. Barcelona: Martinez Roca. 
KUNZ, E. (1983). Duração da vida atlética de campeões nacionais de atletismo, categoria menores, e conseqüências da especialização precoce desta modalidade: estudo exploratório. Dissertação de Mestrado. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria. 
KUNZ, E. (1994). As dimensões inumanas do esporte de rendimento. Movimento, N 1. Porto Alegre: Escola de Educação Física – UFRGS. 
LAMB, D. (1990). Fisiología del ejercicio. Respuestas y adaptaciones. 
Madrid: Editorial Augusto Pila Teleña. 
MUNNÉ, F. ; CODINA, N. (1992). Algunos aspectos del impacto tecnológico en el consumo infantil del ocio. Anuario de Psicología. nº3. Barcelona: 
Facultad de Psicología. Universitat de Barcelona. 
ORLICK, T. D. (1972). Jogos y deportes cooperativos. Madrid: Polular. 
PERSONNE, J. (1987). Aucune medeille ne vaut la santé d’un enfant. París: 
Denoël. 
SEIBOLD, A. (1974). Principios pedagógicos en la educación física. Buenos
Aires: Editorial Kapelusz, S.A. 
SCULLY, P. (1990). Fitness. Condición física para todos. Barcelona: 
Editorial Hispano Europea, S.A. 
TOFFLER, A. (1980). La Tercera Ola. Barcelona: Editora Plaza y Janés. 
VARGAS NETO, F. X. (1995). Deporte y salud. Las actividades físico-deportivas desde una perspectiva de la educación para la salud: 
síntesis actual. Tesis doctoral. Barcelona: Universidad de Barcelona. 
VÁZQUEZ, B. (1989). La educación física en la educación basica. Madrid: 
Gymnos S. A.


 
 
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Última Atualização ( 13 de maio de 2010 )
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